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Este saleiro do Benim (incompleto, pois falta-lhe a parte inferior) integra o grupo dos cerca de quinze saleiros da mesma produção actualmente conhecidos no mundo.
Totalmente lavrado em marfim, foi esculpido na tampa um cavaleiro de elmo e cota de armas montado num cavalo ricamente ajaezado, destacando-se sobre um fundo densamente preenchido. Na secção central, figuram outros cavaleiros e altos funcionários com indumentária e acessórios idênticos aos usados na época pelos portugueses.
Se o modelo formal deste exemplar segue um protótipo europeu, é ao nível da indumentária que encontramos a marca da tradição artesanal africana. Tanto na indumentária das figuras, como no fundo da composição, são reproduzidos padrões têxteis que ainda hoje são ritualmente fabricados nos teares da actual Nigéria.
Nos séculos XV e XVI, inúmeras peças manufacturadas em marfim chegaram a Lisboa, primeiro da Serra Leoa e depois do Benim. Se a arte de trabalhar o marfim na Serra Leoa, a primeira região da África negra visitada pelos marinheiros lusos, representa esporadicamente imagens de portugueses, já os objectos provenientes do reino do Benim, na actual Nigéria, confere àqueles algum protagonismo, isolando as figuras e trabalhando-as em relevo com grande pormenor nos traços fisionómicos, ou seja, registando a diferença do outro, especialmente os cabelos compridos, as barbas de cortes diversos e os narizes afilados.
Este tipo de peças despertou o interesse de uma clientela europeia ávida em possuir objectos raros. Assim, artífices locais, como os Bulom da Serra Leoa, os Ioruba e os Beni do Benim, produziram, por encomenda, colheres, garfos, taças, trompas de caça ou olifantes, píxides e saleiros.
O saleiro de marfim do Benim destaca-se no percurso do museu como um dos primeiros testemunhos artísticos dessas encomendas, e nele se revela o encontro de culturas proporcionado pelos portugueses no período dos Descobrimentos.